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The Blacklist – Primeira Temporada

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The Blacklist estreou envolta de muito receio e com poucas expectativas, a maior dela sobre James Spader, um conhecido ator do cinema nos anos 90 que não vivia uma boa fase na telona e que abraçava a telinha como uma chance de recomeçar sua carreira. Inicialmente a história da série parecia bem simples e com poucas chances de dar certo, no entanto pegando todos de surpresa The Blacklist foi a cada episódio da sua primeira temporada consolidando-se ao apresentar um enredo atraente que conseguiu simultaneamente ter e usar muito bem a fórmula clássica do caso da semana ligada paralelamente a uma atraente mitologia e mistérios. Vários fatores fizeram The Blacklist a melhor série estreante da temporada 2013/2014 e uma das melhores do ano; a principal foi apresentar uma história que capturou atenção do público e que foi crescendo de uma maneira que não entregou respostas, mas sim muitas outras perguntas, mexendo com a curiosidade do telespectador.

Com uma cena emblemática logo na estreia que começou com a primeira participação de Raymond “Red” Reddington (James Spader), o criminoso número um da lista dos procurados do governo dos EU; um americano que trabalhava para o governo, mas que estranhamente trocou de lado e começou a trabalhar para os inimigos do seu país. Red entrou calmamente no FBI e estranhamente se entregou, disposto a dar para o governo a sua “blacklist”, uma lista com os principais criminosos do mundo todo, alguns que as agências dos EUA não tinha nem ideia que existiam; em troca fez apenas uma exigência principal que trabalharia unicamente com Elizabeth Keen. Liz ou Lizzy (Megan Boone) era na época uma agente novata quase sem experiência em campo e tendo como a habilidade a capacidade de desvendar as pessoas, a clássica analista. A novata agente se vê do meio do nada trabalhando em um grupo secreto que tinha como objetivo pegar os criminosos da lista de Red, ao mesmo tempo evitar que ele fugisse novamente, sendo que Liz não tinha ouvido falar até então de Red.

Normalmente os roteiristas quebram a cabeça para conseguir escrever séries que seguem o padrão caso da semana, é difícil demais criar semanalmente boas histórias que consigam prender atenção do público. The Blacklist fez isso de uma forma que beirou a perfeição, raramente o bandido da semana foi ruim ou chato, geralmente foram boas histórias, bem arquitetadas e com vilões atraentes. O roteiro soube apresentar vilões comuns, como terroristas, e transformá-los em personagens cativantes e fugindo de velhos clichês, ao mesmo tempo também apresentou pessoas boas que simplesmente tentavam fazer o bem, mas agiam da forma errada. Episódios marcantes como o “Stewmaker”; “Courier”; The Good Samaritan” entre tantos outros que passaram pela marcante lista de vilões da da série; claro que o desafio já certo da segunda e futuras temporadas será continuar manter este mesmo nível de criminosos da semana sem começar a repetir histórias.

Nenhum caso da semana teria dado certo sem a presença de Red, o personagem que sempre caminhou entre ser o herói e o vilão. Cheio de peculiaridades e segredos, Red é uma personagem único, atraente, carismático sempre ficando bem no meio da linha entre o bem e o mal; impossível não se apaixonar pelo humor negro de Red, suas histórias bizarras do seu passado, seus inúmeros e curiosos contatos, principalmente sua capacidade de em um minuto se preocupar com uma pessoa e no seguinte matá-la cruelmente. A mitologia de The Blacklist foi criada em torno do motivo do enorme interesse de Red sobre a novata agente Liz, muito mais que isso foi também sobre a criação de uma amizade verdadeira entre estas duas pessoas tão diferentes.

Liz viu sua vida mudar do dia para noite, em um momento estava começando uma nova fase na sua carreira, prestes adotar uma criança com seu marido Tom (Ryan Eggold) e no outro se viu no meio de uma conspiração relacionada ao seu misterioso passado e a triste descoberta de que na verdade seu amado Tom era um espião colocado para vigiá-la. Liz passou de garota quieta para uma mulher forte e decidida, foi possível ver claramente o amadurecimento dela a cada desafio e cada pista sobre a verdade que descobria; Red disse sabiamente que não iria entregar tudo para ela, apenas ajudá-la a descobrir a verdade, o que de fato aconteceu. Diria que o ápice do enredo de Liz foi a descoberta da verdade sobre Tom, uma trama muito bem desenvolvida e  que inicialmente enganou a todos parecendo que Tom era um cara normal, mas aos poucos revelou sua verdadeira face. O ator Ryan Eggold fez uma atuação surpreendente e bastante correta, em um minuto Tom passou de pacato professor para um espião cruel e sem sentimentos, um personagem interessante e cria que uma dualidade interessante entre o sentimento de amor e ódio que Liz sente sobre Tom; a boa notícia é que o episódio final da temporada deixou um gancho para um possível retorno dele.

Claro nem tudo foi perfeito em The Blacklist, pequenos e pontuais erros envolvendo principalmente seu elenco secundário. Ressler (Diego Klattenhoff) inicialmente parecia o agente para ser colocado em ação, mas acabou ganhando uma história própria sobre a morte de sua esposa; o que ao mesmo tempo o aproximou e o afastou de Red, a quem foi também, como Liz, criando uma ligação forte. Ressler foi um personagem que cresceu e no final da temporada tornou-se um coadjuvante importante, gostaria de vê-lo trabalhando e ganhando um pouco de mais de espaço, o que ajudaria a trama não ficar tão centrada em Liz e Red. O que deve acontecer já que a parceria de Ressler, a agente Malik (Parminder Nagra) foi morta, uma personagem inútil que não serviu para nada na história e a melhor opção foi matá-la mesmo; o mesmo poderia ser dito sobre o chefe do grupo Cooper (Harry Lennix) que ficou no final da temporada entre a vida e a morte, se morresse não faria falta alguma.

Diria que The Blacklist fez o mundo relembrar deste talentoso ator chamado James Spader que com o passar do tempo foi ficando mais seguro e agora tem um raro domínio sobre a arte de atuar. Spader simplesmente fez a grande atuação da temporada, mostrou toda sua versatilidade em um papel que exigia muito dele e que o levou facilmente, trabalho que já está ganhando reconhecimento com indicações a prêmios e principal por ter sido escalado para viver o vilão Ultron em Os Vingadores 2. O mesmo não pode ser dito totalmente sobre Megan Boone, jovem atriz que teve seu primeiro grande papel com The Blacklist e fez um trabalho razoável, salvo muito pela rápida química criada entre ela e Spader; Boone ainda precisa melhorar sua atuação, porque muitas vezes exagerar em caras e bocas dramáticas que não combinam com o tom da série, presa demais em alguns momentos a sua beleza do que pela sua atuação.

Muita coisa precisa ser explicada sobre a mitologia principal da trama, mais algumas coisas começam a se encaixar; o que parecia ser uma certeza de que Red era o pai de Liz não parece tão certo mais, aparentemente o próprio Red conhecia o pai de Liz, o qual insistir dizer que está morto, apesar de Tom ter negado essa informação e sinceramente acredito mais em Tom. O último episódio deixou mais perguntas do que respostas; aparentemente foi Red quem salvou Liz do incêndio e a entregou a Sam, o qual matou para esconder o segredo sobre a identidade do pai dela; Red ter matado Sam criou uma ferida entre ele e Liz que não será facilmente cicatrizada, apesar de terem terminados juntos Liz não irá perdoar Red até descobrir toda a verdade.

Verdade que está envolta do misterioso criminoso chamado Berlin, um homem que quer destruir de qualquer jeito Red por aparentemente estar ligado a morte da filha dele. Tudo que Red fez, se entregar, dar a lista de criminosos para o FBI foi para descobrir mais sobre quem era este misterioso homem que estava tentando destruí-lo; Red não sabe porque Berlin o odeia tanto e nunca tinha ouvido falar dele antes, mas curiosamente ambos carregam a foto da garoto que é a filha de Berlin, porém ainda não sabemos qual a conexão de Red com a garota. Lembrando que Red aparentemente tem uma filha perdida que morreu, como foi lembrada no emocionante episódio do balé. Essa misteriosa garota é uma importante parte deste quebra-cabeça; alguns acreditam que Liz esteja ligada a moça da foto e talvez seja a filha dela, mas acredito que falta muita coisa a ser explicada antes de conhecermos toda a verdade.

Liz acabou a temporada sem nada, o grupo do seu trabalho foi desmantelado, seu casamento acabou, mas Tom ainda está vivo, só restou aquele que foi o causador de tudo, Red. Os dois terminaram ainda mais unidos e preparados para o que está por vir com a notícia de Berlin, o maneta, conseguiu fugir e está pronto para continuar seus planos contra Red. A segunda temporada de The Blacklist já tem a sua nova premissa que será a guerra de Red contra Berlin, além das paralelas de Liz investigando seu passado e talvez o reencontro com Tom, além claro dos casos da semana que devem continuar a ser peça chave da próxima temporada.

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