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Bates Motel – Segunda Temporada

Bates2A segunda temporada de Bates Motel não teve a consolidação que se esperava desta história e foi em todos os quesitos bem abaixo do que se esperava, mas no meio de alguns erros conseguiu, nos últimos episódios, apresentar a aguardada mudança de Norman Bates de um garoto tímido estranho para um cruel assassino.

O roteiro pode ser facilmente dividido em dois enredos e erros, o principal sobre a história complexa entre Norma e sua mãe Norman e o segundo, e que muitas vezes ficou erroneamente em primeiro lugar, a trama da cidade, Dylan e o tráfico local. Acredito que os fãs da série também se dividem entre estes dois enredos, alguns preferem o primeiro e outros o segundo; na minha visão a série deveria ser sobre a transformação de Norman Bates no assassino maluco que todos conhecemos do clássico Psicose e sua relação com Norma, essa é a premissa principal e a melhor da série; porém os roteristas acreditam, não sei porque, que isso não é o bastante e tentam criar uma história paralela. Nos 10 episódios deste segundo ano essa divisão ficou bastante explícita e prejudicou muito a evolução da trama, um choque de enredos que pareciam não combinar e que começaram a se acertar um pouco e entrar no mesmo ritmo nos últimos episódios até chegar a conclusão da temporada que deu o real primeiro passo para a mudança de Norman Bates.

A evolução de Norman Bates foi de um menino tímido que perdeu o seu primeiro grande amor logo no começo do ano, a necessária saída de Bradley e que depois começou a sua jornada de auto-conhecimento e sua loucura tomando o lugar principal dentro de si. Toda a história da professora Watson, o curto caso com Cody e o assassinato do pai dela, ser preso na caixa por Nick, todos foram alicerces para a mudança radical de personalidade do personagem. A cada episódio Norman foi tendo noção do que estava acontecendo e que existe algo muito estranho e errado existia de dentro de si, os apagões foram ficado pior até que no momento de quase morte na caixa Bates teve consciência do que fez com Watson e seu pai.

Esta deveria ser a oportunidade dele para tentar se recuperar antes que fosse tarde demais, mas é nesta parte que entra a jogada genial com sua mãe. Norma vive constantemente em negação sobre tudo ao seu redor, sempre enganando a si mesmo para fugir da verdade, um mecanismo de defesa criado na época que foi estuprada pelo seu irmão Caleb (Kenny Johnson), que retornou a sua vida neste ano. O retorno de Caleb e a revelação dele ser o pai do Dylan foi o ponto alto da temporada, onde todos tiveram a sua melhor atuação e onde a série conseguiu apresentar uma história forte. Essa mania de negação segue até hoje seja com história da ponte, a perigosa aliança com Nick, a curta amizade com Christine e romance com George e principalmente em relação ao problema de seu filho. Norma tem um amor doentio e obsessivo por Norman, uma proteção que só prejudica ela e ao fugir da realidade não tem noção o quanto prejudica o próprio Norma. A verdade é que Norma chegou a um ponto na vida onde não tem mais nada e ninguém ao seu lado, muito por egoísmo não quer perder Norman para ninguém e por isso prefere fingir que o problema mental do seu filho não é nada demais.

Ao fingir que Norman não tem nada de errado deu os artifícios para a loucura de Bates ganhar ainda mais força, por causa da proteção constante de sua mãe dentro de sua maluca cabeça Bates criou uma versão da própria Norma que assume por ele os seus crimes, criando a famosa dupla personalidade do personagem. A maneira perfeita que essa questão foi de desenvolvida foi o grande achado desta temporada dando um tom mais coeso para explicar como Bates dentro da sua cabeça criou essa mãe imaginária que o incentiva a matar pessoas. Essa relação doentia entre mãe e filha teve uma das cenas mais bizarras quando Norman Bates estava decidido a tirar sua própria vida por medo do seu futuro, mas sua mãe evito que fizesse isso.

A maneira que Norma o abraçou, sua declaração do quanto necessita dele para viver e terminando com um beijo na boca que de maneira alguma pareceu maternal e sim puramente sexual. Este momento foi o que faltava para dentro de si Norma criar a sua versão imaginária de sua mãe, a Norma que existe dele é muito mais possessiva, cruel e maligna do que a verdadeira.Freedie Highmore ainda está tentando encontrar a maneira certa de viver este icônico personagem e ainda não conseguiu se igualar a clássica atuação de Anthony Perkins para Norman Bates. Vera Farmiga que fez um trabalho impecável no ano anterior nesta temporada neste ano teve uma atuação comum, em alguns momentos pecou pelos seus exageros dramáticos.

Essa divisão de duas tramas acaba prejudicando outros bons personagens da série que poderiam brilhar em uma produção que tivesse a trama do tráfico local como ponto principal. Max Thieriot está fazendo uma boa atuação como Dylan que passou por maus bocados nesta temporada, teve seu pico com a descoberta de que Caleb era seu pai e como essa era a razão do distanciamento de sua mãe. Este enredo foi até que relativamente bem estruturado, mas sendo obscurecido pela ideia de colocar o personagem como aquele que interliga a história principal e a outra do tráfico local. Dylan passou de um mero empregado para alguém com grande importância no esquema ao matar Nick, depois ajudar na morte de Zane e se aliar, até romanticamente, com Jodi, alcançando um grau de importância no negócio ilícito. Um belo momento para o personagem no último episódio com Norma percebendo que pode contar e que precisa de Dylan pedindo desculpas por tudo que fez e dizendo que o ama, a relação entre mãe e filho nunca será estável, mas diante do que está por vir o melhor é ficarem unidos.

Para não deixar passar pequenos comentários sobre outros personagens coadjuvantes; Emma praticamente não teve importância alguma na trama, criaram este seu romance com o maconheiro, mas foi tão sem graça como todo o enredo do xerife Romero. O xerife local que deve ganhar mais importância na trama com a descoberta do envolvimento de Norman na morte da senhora Watson, além de sinais sobre um possível romance entre Romero e Norma; o que seria interessante para a Norma tirá-lo de perto de seu filho e Norman talvez não reagir muito bem sobre este romance e quem sabe matá-lo.

Entre os possíveis temas para a terceira temporada como Norma ainda tentando evitar que a ponte seja feita e cuidando de seu filho, Dylan assumindo os negócios e tendo que trabalhar com Romero que continuará desconfiando de Norma. Por último e principal Bates tendo completando a criação da sua imaginária mãe dentro de si para assumir seus crimes, surge assim a conhecida dupla personalidade de Norman Bates e que pode levá-lo ao caminho e final que conhecemos. Caberá aos roteiristas criar uma maneira de trabalhar com as duas Norma existentes na trama e acredito que chegou a hora de colocar Norman para trabalhar na arte de matar, não é possível mais mostrá-lo apenas como um garoto instável, é hora de amadurecer este seu lado sombrio.

tres

 

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