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Crítica: Divergente

Divergente-1Quando um novo produto é lançado e dá rapidamente certo os concorrentes tentam encontrar algo que seja pelo menos parecido para entrar na onda do sucesso do primeiro, e o mesmo acontece e muito na indústria de Hollywood. Desde que Crepúsculo foi lançado em 2008 todos os estúdios buscam uma série literária voltada para o público jovem que repita o sucesso estrondoso da história dos vampiros brilhantes. O único filme que conseguiu não só essa proeza como deu mais maturidade ao estilo foi Jogos Vorazes. Curiosamente o mesmo estúdio de Jogos Vorazes, a Lionsgate, tenta repetir a fórmula do sucesso com Divergente, adaptação da trilogia literária juvenil escrita por Veronica Roth. As semelhanças entre as duas obras são bem claras, protagonistas fortes e fora do padrão social da história, futuros apocalípticos com regimes ditatoriais, muita ação e uma jovem que tenta lutar contra todo um sistema. Apesar de terem premissas quase iguais, cada obra desenvolve a sua história de maneira bem oposta, enquanto Jogos Vorazes tem um tom mais revolucionário, Divergente segue um estilo mais adolescente voltado para o romance.

Em Divergente, a sociedade enfrentou uma grande guerra que aparentemente exterminou parte da população, os sobreviventes moram numa Chicago separada por muros e enormes cercas. Para evitar uma nova guerra o governo decide separar a sociedade em cinco facções: Abnegação (os altruístas), a Amizade (os bonzinhos e pacíficos), a Franqueza (os sinceros), Erudição (os mais inteligentes e responsáveis pela justiça) e Audácia (os corajosos e responsáveis pela proteção de todos). Todos os jovens quando alcançam os 16 anos são obrigados a passar por um teste que definirá a qual grupo pertence, mesmo com esta resposta todos tem o direito de escolher qual facção vão escolher.

Beatrice Prior (Shailene Woodley) nasceu no no grupo da Abnegação, os quais priorizam o bem do próximo e fogem de qualquer tipo de vaidade, porém a jovem sempre teve uma paixão pela liberdade e atos de coragem dos Audaciosos. Ao fazer o teste Beatrice descobre que é uma Divergente, uma pessoa que possuí todas as características de cada grupo, um ser que não é passível de controle, por isso pessoas como ela são perseguidas pelo governo opressivo que não pode deixar jovens com livre-arbítrio soltos pela sua sociedade aparentemente perfeita. Beatrice precisa esconder este resultado do teste para salvar sua vida, sabendo que é uma Divergente percebe pode escolher qualquer grupo, decide então abandonar a sua facção de origem e também seus pais (Ashley Judd e Tony Goldwyn), para realizar o sonho de ser uma audaciosa, mudando seu nome para Trish; para ser um dos audaciosos Trish descobre que terá que passar por um duro e cruel treinamento, onde terá como instrutor Quatro (Theo James, de Anjos da noite: O Despertar).

Divergente-2A trama se divide no padrão comum do gênero, no primeiro ato Tris passa pelo duro treinamento, uma forte lembrança a ação de Jogos Vorazes, além da pressão dos professores, todos sádicos, e também de uma competição para ver quem entre os recrutas vai realmente entrar na facção; esta parte é também um autoconhecimento de Tris que vai entendendo melhor quem ela é e o que como uma divergente a faz diferente de seus outros colegas. A ação constante e um competente elenco secundário ajudam a tornar esta parte bastante dinâmica; Zoë Kravitz (filha do músico Lenny Kravitz) surge como a simpática melhor amiga da protagonista; Milles Teller (Namoro ou Liberdade) é o valentão, rival de Trish e alívio cômico, além do treinador Eric (Jai Courtney, de Duro de Matar 5), o personagem que todo mundo sabe que é o verdadeiro vilão.

Shailene Woodley é a maior razão do sucesso deste filme, carismática e talentosa, a atriz supera as limitações do roteiro para fazer rapidamente com que o público torça e tenha carinho pela sua personagem. Apesar de o roteiro pecar no desenvolvimento de sua protagonista, preferindo dar ênfase ao romance, Trish é uma personagem bastante admirável, parecendo ser a única humana de verdade na trama, perto dos outros personagens que parecem robôs sem personalidade acostumados ao sistema e suas regras, por ter as qualidades e defeitos de todas as facções. Com uma história com temas amplos e uma protagonista cativante, é um desperdício como o roteiro se prende demais ao romance de Trish com Quatro, seguindo a fórmula padrão de história de amor dos filmes dos gênero; interfere também uma falta de um protagonista masculino mais talentoso, o caricato Theo James não consegue acompanhar o estilo maduro de atuação Woodley.

Divergente-3O roteiro poderia explorar mais os temas políticos da obra como a opressão do governo; as brigas entre as facções, ainda mais tendo uma atriz como Kate Winslet ótima como a grande vilã da trama, Jeanine, a líder da Euridição. Temas como livre abritrío, controle através da força, pragmatismo contra liberdade, a escolha do amor da família pela luta por um bem melhor para todos, entre outros assuntos são jogados ao vento rapidamente no meio de cenas de ação no último ato do filme. Divergente pensado como um filme único tem suas falhas com um roteiro que não explora o melhor da sua história e se apega a clichês de outras produções do mesmo estilo; essa falta de personalidade ironicamente, e infelizmente, funciona para atrair o público-alvo que não parece se incomodar de ver mais do mesmo. Por ser o primeiro filme de uma tetralogia, o último livro será divido em duas partes, existe a esperança de que a franquia pode ainda amadurecer e aprender com os erros e acertos desta primeira parte.

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3 comentários em “Crítica: Divergente

  1. […] estreia em 20 de março de 2015. Gostei muito mais do que esperava de Divergente (leia a crítica aqui) e espero que a sequência corrija os erros da primeira parte; sobre Spencer uma ótima atriz que […]

  2. […] de 2015; já as duas partes de Convergente estreiam em 18 de março de 2016 e 24 de março de 2017. Divergente foi um filme bem melhor do que o esperado e assim como aconteceu com Kate Winslet, a produção […]

  3. […] sequência de Divergente e ambos baseados na obra de Veronica Roth, ganhou o seu primeiro teaser. O teaser mostra uma grande […]

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