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House of Lies – Terceira Temporada

805_3_0_prm-keyart_1024x640Consolidação, é desta maneira que descrevo logo no primeiro parágrafo o que foi a terceira temporada de House of Lies, que está não só na lista das cinco melhores comédias dramáticas da televisão, como também facilmente entre as dez melhores séries em geral. House of Lies  em seu terceiro mostrou a derrocada quase sem fim de Marty Kaan (Don Cheadle, magnífico!) e seus parceiros.

A ganância foi um tema que circulou os enredos de todos os personagens neste ano e foi o motivo de todos terminarem este ano derrotados. Marty começou a temporada tentando criar a sua própria empresa, Marty and Associates, sem seu velhos parceiros e com uma nova equipe que não rendia o que esperava; um início complicado que teve como um dos principais clientes um empresário do ramo da comida vegetariana que viria ser no final da temporada o motivo de sua derrocada.

Enquanto Marty seguia sua vida, seus antigos parceiros de equipe tentavam ter o sucesso que tinham com ele. Jeannie (Kristen Bell, na melhor atuação de sua carreira) tentava continuar sua carreira agora tomando o lugar de Marty na Gaweahter Stearn, ainda aguentando o Doug; tudo corria bem até descobrir que Marco “The Rainmaker” estava de volta ao topo da empresa e pronto para fazer a vida dela um inferno! Jeannie nunca foi uma pessoa que deixa um desaforo sem resposta e fez questão de destruir o The Rainmaker e a sua Gaweather. Sem emprego, não demorou para Jeannie, carregando Doug nas costas, voltar a trabalhar para o seu antigo líder, Marty Kaan. Muda a empresa, mas não muda a personalidade, Jeannie talvez seja a pessoa mais gananciosa de todos desta série, uma mulher forte e decidida capaz de tudo para conseguir o que deseja. O maior erro de Jeannie foi não ter coragem de assumir seus sentimentos por Marty, preferindo manter sua postura fria e exigindo que só voltaria a trabalhar com ele se fosse considerada não uma mera ajudante e sim uma das donas da companhia; o que Marty fez também por causa do amor que senta por ela e reconhecendo o seu talento.

Marty também errou ao não dar atenção para as dicas de Jeannie que desde a primeira vez o avisou de que não era um boa ideia fazer uma parceria com a Doyllahyde. A empresa de roupas controlada por dois homens vindo do gueto, Dre, um homem que viu no sucesso a chance de subir na vida e queria ainda mais, e Luke, o típico rapper americano preocupado mais em ostentar as suas posses. Existe um paralelo entre a parceria de anos de Dre e Luke com a de Marty e Jeannie, ambos por causa de suas ambições pessoais destruíram amizades que deveriam ser eternas. O que Marty fez foi se aproximar demais de Dre, acreditando que ele era a pessoa correta nesta parceira; Marty sempre sentiu falta de ter um amigo que entendesse seu mundo e que fosse negro; o que Marty não enxergou é que Dre tinha dinheiro e uma bela família, mas não tinha valores, algo que Luke sempre teve e por isso não queria seguir o mesmo caminho que seu parceiro. Jeannie por toda temporada morreu de ciúmes com essa amizade de Marty e Dre, não desperdiçou uma oportunidade de transar com Luke, muito mais para fazer ciúmes para Marty do que para conhecer seu suposto inimigo.

Sempre gostei de Doug como um alívio cômico,, mas assim como seus companheiros de equipe começo a perder a paciência com o personagem que está ficando repetitivo demais; suas piadas não funcionam mais, a única engraçadinha foi ter matado o cachorro de Luke. Doug começou o ano casado e feliz, depois fugiu de sua esposa que queria ter um filho, se separou, tentou ter um romance mal-sucedido com uma estagiária e acabou voltando com o rabo entre as pernas para sua esposa, a personificação da mediocridade em uma só pessoa.

Fora deste enredo, quem estava pagando pelo que fez foi Clyde, que por ter traído Marty teve como castigo aguentar as loucuras da cada vez mais instável Monica; Clyde cometeu o erro crucial de ter trocado Marty por Monica, o que ninguém em sã consciência acharia uma boa ideia. Monica chegou ao ponto de deixar uma integrante de sua equipe tão irritada com suas agressões verbais que a esfaqueou em uma das melhores cenas da temporada!  Clyde e Monica tornaram-se inimigos mortais, mas seguiram caminhos parecidos. Clyde acreditava que seria fácil reconquistar a confiança de Marty e cada vez que não conseguia isso foi caindo mais e tomando decisões erradas; pensava que a chave para voltar ao time de Marty era Marissa (Eliza Coupe, sensacional!), uma moça dona de uma poderosa empresa que tinha um sério problema com drogas; o que Clyde fez foi acreditar que Marissa era diferente de outras pessoas neste mundo dos negócios, mas não era, apesar de adorar transar e usar drogas com Clyde o usou para ganhar dinheiro exatamente para comprar mais cocaína e depois o dispensou sem nada.

Monica também após levar uma literal punhalada teve que correr para Marty para tentar salvar sua carreira; genial como Monica foi tentar dar uma de esperta e enganar Marty, mas foi descoberta por Jeannie que percebeu que a vaca da ex-mulher de Marty estava tentando aplicar um novo golpe; Monica foi descoberta e perdeu muito dinheiro, mas não foi embora sem dar um discurso humilhante que mexeu bastante com Jeannie. Ainda no enredo familiar de Marty; Roscoe teve uma virada bastante peculiar em sua história ao se apaixonar por Lex, uma garota que se vestia e agia como um menino, escondido de seus pais. A questão da sexualidade de Roscoe ficou ainda mais confusa, parecia até então ser gay e apaixonado pelo seu melhor amigo e daí começou a gostar de Lex que era quase uma transexual. Deixando esta confusão sexual de lado; Lex era uma péssima companhia e Roscoe tardou ao ouvir os conselhos de Marty que sabia que essa garota/garoto iria só trazer problemas para a vida de Roscoe, o que aconteceu, incluindo a Roscoe ficar pela primeira vez bêbado. O garoto acabou se reerguendo e dispensando Lex, voltando a ser o mesmo garoto adorável de sempre e descobrindo na dança uma nova paixão. Já o vovó Jeremiah superou sua saúde fraca arranjando uma bela e jovem namorada que está sendo uma boa e merecida companhia para ele, senti falta de Jeremiah mais presente nesta temporada.

A amizade de Marty e Dre teve um preço alto para o protagonista; Dre passou todos os limites aceitáveis para conseguir o que sonhava, como matar o seu melhor amigo Luke para prosseguir da maneira que queria nos negócios; Marty demorou para enxergar que nesta parceria Luke era o bom moço e Dre o vilão. O maior estrago da amizade com Dre foi que Marty não deu o valor que Jeannie gostaria de receber e quando isso acontece a personagem assume o seu lado vilã e parte em busca de vingança. Não existe uma desculpa para explicar a atitude de Jeannie de entregar os negócios ilícitos da Dollyhade para sua amiga que trabalhava no governo, foi ingênua demais de achar que isso não prejudicaria Marty e a todos. Jeannie quando conseguiu o que realmente sempre quis que era a atenção e o amor de Marty perdeu tudo por causa de sua ambição; um relacionamento que poderia ser eterno e durou apenas uma noite de muito sexo e declarações de amor, com ambos acreditando que tinham encontrado o lugar certo nos braços do outro.  Acredito que isso aconteceria se Jeannie não tivesse cometido o maior erro da sua vida, Jeannie tentou mostrar ser mais forte que Marty e ao agir por de trás das suas costas destruiu a Marty and Associates e a carreira dele.

A temporada terminou de forma melancólica, Marty perdeu tudo de uma vez, a empresa que construiu e por causa da mulher que amava, tendo que ironicamente dar sua empresa exatamente para Jeannie que realizou o sonho de sua vida de ter o poder em mãos, mas ficou sem aquilo que mais queria que era o próprio Marty e é agora a responsável por uma empresa que está falida exatamente por sua causa. Marty terá que enfrentar um duro processo podendo até ser preso, resta apenas se apoiar em Roscoe e sua família para tentar juntar força para enfrentar o que vem por aí. A cena final foi emblemática e deu o gancho para o futuro de House of Lies; Marty no deserto quase nu, perdendo toda a imagem do empresário elegante e confiante que lutou tanto para construir e restou apenas o homem comum que terá que recomeçar do zero para voltar ao topo.

quatro

 

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