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Crítica: Noé

Noah3Qualquer obra de entretenimento que tem como base a Bíblia nasce com o risco de ser mal interpretada e sofrer as consequências do fanatismo que o livro religioso causa nas pessoas. O diretor Darren Aronofosky (Cisne Negro) recria a história de Noé e sua arca a transformando em um épico com estilo de blockbuster para contar a sua maneira o dilema filsófico que o seu personagem principal vive.

A abertura justifica e explica a separação de dois tipos de pessoas, aqueles que creem fielmente no Criador, Noé, e os que acreditam ser os dominantes da Terra esquecida pelo criador. Aronofsky que coassina o roteiro ao lado de Ari Handel tira o tema religioso no primeiro ato  dando um tom mais ambientalista; Noé é o vegetariano que preza pela vida de cada ser dado ao mundo pelo criador, valor que passa para seus filhos; enquanto o antagonista, Tubal – Cain (Ray Winstone, caricato e exagerado), é um carnívoro cruel, um homem que se auto-denomina rei da terra e com o direito de fazer o que quiser com tudo que existe no planeta, o que incluí animais e pessoas.

Noah2Aronosfky não se centraliza somente em Noé, ampliando com uma visão própria de outros temas da Bíblia, desta maneira traz a primeira polêmica de sua obra, retrata os anjos caídos como seres esquecidos pelo seu criador e reais defensores dos humanos; para dar um tom mais de blockbuster, Aronofosky apresenta os anjos como gigantes feitos de pedras com uma luz interna que seriam suas almas. Os monstros chamados na história de Guardiões são a personificação da falta de uma personalidade definida do longa; Aronosfky tenta com estes seres dar mostrar os anjos caídos como injustiçados pelo Criador, o que poderia criar uma discussão sobre tema que perde sua credibilidade ao criar para os mesmos um visual que remete mais a blockbusters como Transformers do que um épico bíblico.

Existem muitas similaridades entre Noé e a Fonte da vida de Aronofosky, ambas as obras possuem temas bíblicos em suas premissas e também contém este conflito interno entre contar uma história ou segurar atenção do público através de suas belas imagens. Inegável que visualmente Noé encanta com suas espetaculares cenas, dando uma dimensão bastante realista para o que seria na realidade o dilúvio e a arca gigantesca e seus animais; entretanto um diretor de filmes como Pii e Cisne Negro não precisa necessariamente ter que se abraçar a belas imagens para contar sua história, repetindo a mesma falha de Fonte da Vida com Noé, ambos lindos aos olhos e com uma história rasa.

Noah1Russell Crowe tem uma presença que domina toda a tela com sua voz e atuação que explora como o pacato Noé ganha forças através de sua fé, um notável ator que é o único do estrelado elenco que consegue se sobressair ao show de imagens; Jennifer Connely e Emma Watson e Logan Lerman interpretam personagens que são explorados no terceiro e contraditório terceiro ato. É no terceiro ato que Aronosfky abandona a proposta de fazer um blockbuster e passa a contar uma história de verdade, o que resultado em um choque com tudo que foi contado até aquele instante; como se puxasse o freio bruscamente e diminuísse não só o espetáculo de imagens, como ritmo e principalmente o tom do filme.

O diretor é um ateu assumido, ideologia que é exposta em cenas como a explicação de Noé sobre a criação do mundo, muito mais para o lado de Darwin do que religioso. Essa visão ateísta fica explícita no terceiro ato quando a autoridade do Criador é colocada em discussão e o quanto Noé está realmente fazendo um bem para humanidade, mas sim apenas servindo como um boneco de um Deus vingativo e cruel; visão que merecia um pensamento mas profundo se não fosse colocada em um contexto que não combina com a proposta até então do filme. Noé é o filme mais fraco e sem de personalidade de Darren Aronofsky que se entrega demais ao cinema comercial, o qual nunca combinou, ironicamente o diretor não segue a própria bíblia para contar sua história, mas a bíblia de Hollywood de como criar um blockbuster.

dois

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