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Crítica: O Discurso do Rei

Os filmes ingleses costumam dividir opiniões, principalmente em filmes como o Discurso do Rei, que novamente conta a história de um membro da família real. Um grupo acredita que todos os filmes sobre o assunto são iguais e chatos e outros acham que eles mostram uma visão cinematográfica diferente das produções norte-americanas. Assim como aconteceu em ” A Rainha” (2006), o Discurso do Rei tenta mostrar um lado mais humano da monarquia inglesa e uma visão mais próxima da realidade de outros países.

O filme conta a história de Albert Frederick Arthur George (Colin Firth, de O Direto de Amar), o segundo na linha de sucessão do Rei George V, somente após de seu irmão Edward (Guy Pearce, de Guerra ao Terror ). Albert, pai da atual rainha da Inglaterra Elizabet II, sofre de uma forte gagueira que o impede de falar com o seu povo e até com seus familiares, tornando-se alvo de piadas na Inglaterra.

Após tentativas diversas e frustantes de resolver seus problema, sua esposa Elizabeth (Helena Bonham Carter, de Alice no País da Maravilha), descobre Lionel (Geofrey Rush, franquia Piratas do Caribe), um especialista que usa metódos nada ortodoxos para curar seus clientes com problemas na fala e que garante que pode curar Albert.  Quando o Rei George V morre, seu irmão David assume o trono, mas por por pouco tempo. Dono de uma forte personalidade e de atitudes ousadas para a época, ele é obrigado a abdicar do trono e assim Albert se torna o Rei George VI.

A ótima direção de Tom Hooper (Elizabeth) lembra muitas vezes o estilo de uma peça de teatro, tantos nos seus cenários como pelos seus bons e longos diálogos. O estilo ganha mais força com os lindos figurinos de Jenny Beavan e encantadora fotografia de Danny Cohen. Coen soube como colocar os personagens em posições que mostram detalhes da situação. Toda vez que o O Rei George VI fica na frente de um microfone, é como se ele estivesse escondido atrás da máquina e como se ela fosse mais poderosa que o próprio personagem.

O roteiro escrito por David Seidler, que também foi gago quando criança, não se concentra na política e sim usa ela como pano de fundo para centralizar a história no problema do Rei George VI e sua luta com a ajuda de Lionel, para superar sua gagueira.

Colin Firth novamente faz uma grande atuação e que deve lhe render, até que enfim, o Oscar de Melhor ator. O ator dá um exemplo de perfeição na pele do Rei George VI e consegue mostrar sutilmente as diferenças entre o homem que comanda uma nação e aquele que é pai de família e que precisar lidar com seu problema pessoal. Além de sua gagueira, o Rei era conhecido por ser dono de uma forte personalidade e pela sua falta de paciência, Firth consegue transparecer essas mudanças de humor, tanto que quando o personagem perde a cabeça sua gagueira some rapidamente.

George Rush segue o mesmo nível de atuação de seu colega de elenco, como o simpático personagem Leonel, um simples pai de família, que acreditando no seu potencial tenta convencer o líder da Inglaterra que será capaz de curá-lo.

A história toda é repleta de cenas centralizadas somente nos diálogos entre Firth e Rush, que conquistam o público e protagonizam grandes momentos, alguns deles muito engraçados. Afinal não é todo dia que você vê o Rei da Inglaterra falando uma série de nomes feios sem parar e com toda a naturalidade possível.

Mesmo com uma dupla como essa em cena, sobra espaço para Helena Bonham Carter que finalmente deixa de lado seus últimos personagens esquisitos e volta a a fazer atuação mais simples e cativante, no papel da esposa que dedica sua vida ao seu marido.

Tom Hooper soube como encaixar na história a subida de Hitler na Alemanha ao mesmo tempo que Albert se torna o Rei da Inglaterra., um paralelo interessante sobre dois homens tão diferentes. Chama atenção a cena em que o Rei observa e se impressiona a ver um dos fortes discursos de Hitler.

Conquistando seu espaço aos poucos, O Discurso do Rei deixou de ser apenas uma zebra, para se tornar um dos favoritos ao Oscar, recebendo 12 indicações. Conhecendo os outros concorrentes e o histórico da Academia é muito provável que o filme seja o grande vencedor da premiação.

O Discurso do Rei traz uma visão mais humana da monarquia inglesa, contando a história de superação de um homem que enfrenta seus problemas não somente por motivos pessoais e sim pela sua nação.

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Um comentário em “Crítica: O Discurso do Rei

  1. Estou louca para assistir esse filme.

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