dComo um artista ultrapassa os limites do sucesso e se tornar uma lenda, sua história de vida ou espírito de sua obra. Se para você a primeira opção é a resposta, recomendo você assistir biografias mais passionais como Ray ou Joh, se a sua resposta foi a segunda opção, você deve assistir o filme Não Estou Lá (I’m Not There).
O filme é uma biografia sobre Bob Dylan, completamente diferente do padrão, o diretor Todd Haynes, mostra com 6 atores diferentes todas as fases da vida de Bob Dylan e claro com suas melhores músicas no filme.

Marcus Carl Fraklin um jovem ator negro, sim negro, faz o começo da carreira de Dylan, o personagem chama Woody Gunthrie um garoto de 11 anos prodígio na guitarra, o nome é uma clara homenagem a fonte de inspiração de Dylan,o cantor de folk Gunthrie, que Dylan conheceu já perto da morte de seu ídolo,
Com esse personagem podemos ver o processo que ele passou até decidir um rumo para sua carreira, rumo que é mostrado com um conselho dado no filme.

Surge e literalmente surge Christian Bale e o personagem Jack Rollins mostrando a fase de Dylan defensor dos direitos civis e chamado de cantor de música de protestos, e sua fase com a cantora Joan Baez, o acidente ao receber o prêmio Tom Paine. Em uma mudança sensacional que o filme parece se tornar um documentário Bale volta para mostrar quando Dylan se tornou católico.

O filme é intercalado pelo bom ator teatral Ben Whishaw, com as melhores falas do filme, interpretadas, filmadas como se fosse uma entrevista, e brilhantemente mostra a filosofia por trás carreira de Dylan.

Aqui foi a parte que mais me emocionou, Heath Ledger em mais uma boa atuação interpreta Robbie Clarke um ator que está filmando uma biografia do personagem de Christian Bale(parece confuso, mas tudo é perfeitamente montado), e serve para mostrar as tentativas frustradas de Dylan de ser ator e diretor.
Mostra também o lado família de Dylan e a difícil vida de um artista e a distância das pessoas que ama, Ledger emociona e muito no papel e é impossível não pensar até que lugar a carreira dele poderia ter chegado.

A melhor fase de Dylan(na minha opinião é claro) e com certeza o motivo que atraiu o público que não conhece a carreira de Dylan, é a parte da atriz Cate Blanchett ela é Jude Quinn(sim um homem) com uma atuação acima da média.Mostrando a fase de rompimento de Dylan com o folk e sua nova paixão a guitarra, todos os protestos que os fãs tiveram com essa mudança, que até chamado de Judas ele foi e a difícil relação com a imprensa.

Difícil separar as melhores cenas que já assisti em um filme, mas todas as cenas com Blanchett são inesquecíveis, cenas em preto e branco e que só poderiam ser filmadas assim, a cena mais engraçada e umas das melhores entre a importante amizade de Dylan e os Beatles, com certeza será sempre lembrada.

Chega a participação do ator Richard Gere, que correndo o risco de ser muito sincero, acho ele péssimo, interpreta a fase que Dylan se afastou da mídia, e se isolou nos campos, por sorte Gere participa de outra ótima cena, que mostra a volta de Dylan a música.

Aqui uma parte para os fãs de técnicas de cinema, Haynes fez um filme esteticamente perfeito.o filme inteiro utiliza estilos diferentes da história do cinema, diferentes narrativas, mudanças de cores, fotografia genial, imagens que a um olho despercebido pode parecer estranhas, mas servem para mostrar o espírito das fases de Dylan.

Um filme que como Bob Dylan é muito maior do que um nome ou uma história, é uma homenagem as emoções que ele viveu e mostra como isso interferiu na sua eterna obra musical.

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